Palomar é o nome de um
famoso observatório astronômico que durante muito tempo ostentou o maior
telescópio do mundo. Por intencional ironia, é também o nome do protagonista de
textos curtos de Ítalo Calvino, pois este senhor Palomar é todo olhos, mas funciona
quase sempre como se fosse um telescópio ao contrário, voltado não para a
amplidão do espaço, mas para as coisas próximas do cotidiano. É como se ele nos
dissesse que as grandes questões do mundo e da existência também estão
presentes em cada objeto que observamos, em cada cena que presenciamos, e que
tudo é digno de ser interrogado e pensado. Palomar foi o último livro publicado
em vida por Ítalo Calvino. Recebeu o Prêmio Jabuti 1993 de Melhor Produção
Editorial de Obra em Coleção.
Diz
o romance no capítulo “O Modelo dos modelos”, que em uma época de sua vida
Palomar tentou construir em sua mente o modelo mais lógico e geométrico
possível, com o objetivo aplicá-lo à realidade. A partir daí fez correções para
que realidade e modelo coincidissem. Esse, segundo ele, seria o procedimento
correto, o mesmo que é usado por físicos e astrônomos.
Ítalo
Calvino é um autor que pensa a literatura como um espaço em que diversos campos
se cruzam, levando seus leitores a refletirem sobre separações estanques que a
nossa tradição escolar opera e impõe, como, principalmente, entre ciência e
arte. Retoma-se aqui a noção clássica, que perdura até a modernidade, de que o
conhecimento científico pressupõe a aplicação de procedimentos e teorias que
garantem (ou pretendem garantir) a sua validade, garantia que se fundamenta nas
ideias de demonstração, descrição e corrigibilidade (ABBAGNANO, 2000).
A
diversidade e o infinito no mundo das experiências deveriam ser encarados como
convites sempre abertos de aprendizagem e esta precisa ser encarada como um processo ao mesmo tempo contínuo,
aberto, inacabado.
A
construção de um modelo era...para ele[Palomar] um milagre de equilíbrio entre
os princípios (deixados à sombra) e a experiência (inapreensível), mas o
resultado deveria possuir uma consistência muito mais sólida...O modelo é, por
definição, aquele em que não há nada a modificar, aquele que funciona com
perfeição; ao passo que a realidade, vemos bem que ela não funciona. Em
suma, se o modelo não consegue transformar a realidade, a realidade deveria
conseguir transformar o modelo...
Na
educação estamos acostumados a buscar e esperar “modelos” e receitas para trabalhar
com os alunos sem levar, muitas vezes, em consideração as inúmeras e variadas
especificidades de cada sujeito. A escola precisa romper com a dependência de
estruturas pré-estabelecidas e ampliar a capacidade de criação de novas
propostas de aprendizagem que qualifiquem e garantam a aprendizagem e o desenvolvimento
de todos os alunos. Os alunos com necessidades especiais precisam ser
reconhecidos como sujeitos com capacidades e ser reconhecidos em suas
limitações, fazendo com que o diálogo entre essa essência seja o fio condutor
de propostas de aprendizagem. Ao elaborar o Plano de AEE para cada aluno, é
preciso conhecer as reais necessidades a serem trabalhadas e estimuladas
buscando nos modelos que já conhecemos e já avaliamos o impulso criador para
novas proposições. Cada aluno é único e todo professor deverá ser o “autor” de
cada proposta de trabalho.