DAMÁZIO, M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento
Educacional Especializado do aluno com surdez. Capítulo 2. São Paulo: Moderna,
2010.
A educação escolar do aluno com surdez é
bastante complexa e é preciso um atendimento que se proponha a quebrar
barreiras linguísticas e pedagógicas para garantir a inclusão de todos os
alunos. A implementação de diretrizes e ações que favoreçam as práticas
educacionais inclusivas precisam ser norteadas por fundamentos básicos que
capacitem o profissional e garanta práticas significativas e o direito à
diversidade.
É preciso romper com preconceitos que foram
construídos a partir do desconhecimento sobre as especificidades e necessidades
dos alunos com surdez e as muitas barreiras sociais que estão cristalizadas
pela incapacidade das propostas pedagógicas que foram desenvolvidas
tradicionalmente sem considerar a diversidade linguística e, por isso, reproduz
a ideia de incapacidade da pessoa com surdez.
Diferentes concepções cercam as discussões
sobre as questões que envolvem a garantia de direito da pessoa com surdez na
escola. Para que as ações não sejam segregadoras, ou seja, em nome da diferença
ser excluído, é preciso reconhecer a escola como espaço democrático às
diferenças e garanta, através da coletividade, que seja um espaço de aquisição
e de conhecimento e cultura. A escola precisa garantir ainda que os sujeitos
nela inseridos exerçam sua cidadania, de acordo com os princípios
constitucionais do seu país.
A garantia do Atendimento Educacional
especializado para alunos com surdez se faz necessário para qualificar o
processo de ensino e aprendizagem. Dorziat (1998) afirma que é primordial o
aperfeiçoamento da escola comum em favor de todos os alunos. Para essa garantia
aos alunos com surdez é necessário que os profissionais conheçam e usam a
Língua de Sinais e implemente ações que garantam um ambientes educacionais
estimuladores, que desafiem o pensamento e explorem as capacidades desses
alunos e favoreçam a interação de toda comunidade escolar.
Organizar ambientes que os alunos com surdez
estão inseridos é sinônimo de garantia de condições para que se estabeleçam
trocas simbólicas com o meio físico e social. Com base nessa informação, Poker
(2001) constatou que a natureza do problema cognitivo da pessoa com surdez está
relacionada a:
[...] deficiência da troca simbóloca, ou
seja, o meio escolar não expõe esses alunos a solicitações capazes de exigir
deles a coordenações mentais cada vez mais elaboradas, que favorecerão o
mecanismo da abstração reflexionante e, consequentemente, os avanços cognitivos
(POKER,2001:300).
Para garantir uma escola inclusiva para o
aluno com surdez é preciso considerar o direito de acesso ao conhecimento, à
acessibilidade, bem como o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Assim,
a escola comum precisa viabilizar o AEE no turno contrário, contemplando o
ensino de Libras, o ensino em Libras, o ensino da Língua Portuguesa, oferecendo
uma educação bilíngue, e as duas línguas passarão a coexistir no espaço da
escola. Conforme Damázio, os três momentos didático-pedagógicos precisam ser
respeitados:
Referências
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção, p.46-57.
DAMÁZIO, M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento Educacional Especializado do
Aluno com Surdez. Capítulo 2. São Paulo : Moderna, 2010.




